quinta-feira, 15 de julho de 2010

Márcia Elisabete


Irmã.

Seu nome que lembra a realeza
Sutil, elegante, silenciosa
Como reza a real etiqueta
Perene, intocável e interior beleza

Com a coroa do destino
Que, se sente e tem espinhos
Não reclama
Mas com a derme como antena
Que tudo e a todos capta
E a todos internamente ama

Que sabe tudo ao redor
Que sabe que a sina, se existe
Poderia ser melhor

Há momentos
Em que me sinto na categoria da gente inepta
Que se te entende, não manifesta
Lembrando de te esquecer

E eu outro dia, inerte
Agachado, ali a seu lado
Tentando ainda entender porque esse
Foi o presente de seu passado
Perguntei para mim qual o porquê
Desse legado

Quando balbuciaste do alto de seus
Pequenos e majestosos olhos amendoados
pela primeira vez para mim, em sua vida:
"Paulo. Eu preciso de você".

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Será mago?


Será mago?

Saramago.
Sara mago.
Será mago?
Ou apenas humano
Que um ancestral talento encobre
Colheita em seara tão nobre
Sinto infeliz o alfabeto
Que - 18.06.2010 - parece
Ficou mais pobre

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Circumloquium


Circumloquium

Eu não sei mais o que fazer, mesmo.
Não sei mais o que fazer, mesmo.
Sei mais o que fazer, mesmo.
Mais o que fazer, mesmo.
O que fazer, mesmo.
Que fazer, mesmo.
Fazer, mesmo.
Mesmo!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Fefê Cabelo de Mola


Fefê

Fefê,
Cabelo de mola
Quando puxa, estica
Quando solta, enrola


Inspiração: Paulo Cruz

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Céu e Mel


Céu e Mel

Pronomes possessivos?
Preferi, quando você apareceu
Colocar em um quadro
Que hoje está na memória
Palavras, para nós, incentivos
Tomara, fiquem em sua história:
Gabriel.
Um sonho que é
Céu e Mel

PH MC

domingo, 11 de abril de 2010

Às vezes acordo tarde


Às vezes acordo tarde

Às vezes acordo tarde
Tenho a sensação do travo amargo
De quem deixou o que fazer
De quem esqueceu do espaço
Que todos temos pra sonhar

Parece que estou a um passo de lágrimas
Que vão lavar todos os meus pecados?
Elas insistem em sair. Eu insisto que não
Eu estou deslocado. Ou elas, então?

Falo. Falo. Falo. Penso. Penso. Penso. Penso
Respostas não tenho. Nem em mim
Nem nos outros

Olho as mesas cheias
Todos conversam
Todos tem seus problemas
Em sacos invisíveis a seus lados?
Como? Se todos riem

Procuro a alegria. Não a encontro.
Ou ela não me acha.
Talvez ela me encontre se eu estiver em mesas cheias.
Ou fora dessa carapaça que uma hora racha

A alegria.
Meu espírito está cheio dela quando olho
Nos olhos risonhos de meus filhos.
E encontro verdades visíveis
De quem veio ao mundo que se move
Pra me dizer que esse texto já passou
Fica o eterno sorriso de suas almas
Que alimentam minha calma
Dizendo que tudo se resolve

quarta-feira, 24 de março de 2010

Almoço com Matheus e Maria


Almoço com Matheus e Maria

Que delícia
A sensação
De, mesmo não tendo sido o primeiro
Ter sido o mais certeiro
a acertar o seu coração

Tenho sempre essa sensação
Que pode não ser nem mesmo a verdadeira
Mas, sem dúvida, passei na peneira
De que não sou uma mera ilusão

Que delícia
O que um singelo almoço
Pode produzir,
Se não aqueles momentos
Grandiloqüentes
Como um orgasmo
Aqueles pequenos encontros
Que significam aquele amor
Que nos mostra a rota
Fora do marasmo

Delícia de digestão de idéias
Delícia de prato
Servido pelo destino
(Ele existe?)
Delícia de tertúlia
Que só o imprevisto proporciona

O cardápio servido é a vida
Nem tanto mais a nossa
Mas, mais aquela que nos é querida
Ou queridas
Aquelas que nos curam as feridas
Que nos enchem o horizonte
De certezas que não tivemos

Aquelas que nos transmitem a certeza
Que vivemos
Hoje, para além de nós mesmos
Para muito perto do infinito
De nossos frutos
Para junto de nosso dna
e nossos propósitos
Que nada, nem o destino
Há de mudar.