quarta-feira, 24 de março de 2010

Almoço com Matheus e Maria


Almoço com Matheus e Maria

Que delícia
A sensação
De, mesmo não tendo sido o primeiro
Ter sido o mais certeiro
a acertar o seu coração

Tenho sempre essa sensação
Que pode não ser nem mesmo a verdadeira
Mas, sem dúvida, passei na peneira
De que não sou uma mera ilusão

Que delícia
O que um singelo almoço
Pode produzir,
Se não aqueles momentos
Grandiloqüentes
Como um orgasmo
Aqueles pequenos encontros
Que significam aquele amor
Que nos mostra a rota
Fora do marasmo

Delícia de digestão de idéias
Delícia de prato
Servido pelo destino
(Ele existe?)
Delícia de tertúlia
Que só o imprevisto proporciona

O cardápio servido é a vida
Nem tanto mais a nossa
Mas, mais aquela que nos é querida
Ou queridas
Aquelas que nos curam as feridas
Que nos enchem o horizonte
De certezas que não tivemos

Aquelas que nos transmitem a certeza
Que vivemos
Hoje, para além de nós mesmos
Para muito perto do infinito
De nossos frutos
Para junto de nosso dna
e nossos propósitos
Que nada, nem o destino
Há de mudar.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Moura


Moura (10/07/93)

Moura, d'além mar

Olhos quase verdes
Que brilham ao mel
Seda preta que cai da testa
Língua fugidia sempre em festa
Sobrancelhas feito fontes
Sobre duas meninas.
Sorrisos como pérolas no céu
Colo aconchegante como mãe
Dois morros de linhagem tímida
Ordenhando o futuro
Casa da vida, casulo do amanhã
Sempre em forma
Escorregando a uma profunda
Floresta escura
Que só algum tempo atrás
Escondia alguma norma
Por onde escorreu toda nossa luz.
Desceu por essas roliças
E duras até essa planta,
Que fincou pé por aqui
Fazendo a fotossintese
Ao contrário
De onde nasceu essa flor
Que é a síntese daquilo
Que se pode esperar,
Daquela que balançou
No mar
Pra encontrar um amor
Pra gente se amar